Natal saudável e sustentável???? É possível.

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Hoje no DI falo de Natal saudável e sustentável.

No dia 11 de dezembro, no Observatório do Ambiente e Centro de Ciência de Angra do Heroísmo, irei dinamizar um workshop dedicado a esta temática (vejam cartaz abaixo para inscrições).

Vai ensinar como ter um Natal mais “saudável e sustentável”, num showcooking, que se realiza no próximo dia 11, no Centro de Ciência de Angra do Heroísmo. O que motivou a escolha deste tema?

O tema do evento insere-se no Projeto “Fit4FOOD – criação de um Food Lab nos Açores”, que é alusivo à saúde, nutrição e sustentabilidade alimentar e tem como objetivo primordial ajudar a mudar o sistema alimentar da União Europeia para se tornar à prova de futuro, de acordo com a iniciativa FOOD2030 da Comissão Europeia.

Foi com muito gosto que recebi o convite, endereçado pelo Observatório do Ambiente dos Açores e Centro de Ciência de Angra do Heroísmo, para desenvolver uma dinâmica de culinária que pretende mostrar como é possível e fácil cozinhar de uma forma saudável, mas ao mesmo tempo sustentável e dentro da quadra natalícia, que é por si só uma época de muito consumismo. Durante a oficina, pretendo ensinar como podemos consumir de forma consciente durante a época Natalícia optando por comprar produtos locais em vez de importados, como podemos reduzir os resíduos gerados na elaboração das refeições, e de como podemos evitar o desperdício alimentar, recriando as sobras.

É possível fugir às tentações calóricas desta quadra? Como sugere tornar o Natal mais saudável?

Sempre que possível, opte por substituir o açúcar convencional por adoçantes naturais, como a stévia, o açúcar de coco ou por frutas como as tâmaras, as ameixas, a banana. Deve também tentar reduzir a quantidade de açúcar das receitas. Experimente confecionar bolos com legumes biológicos como a abóbora, a cenoura, a curgete, o espinafre e o agrião. Tente também reduzir a quantidade de frutos secos tanto nos bolos, nas tartes como nos aperitivos salgados. Evite as bebidas alcoólicas, nada nutritivas e com alto nível calórico. O segredo está em provar de tudo, mas em tentar controlar as quantidades do que sabemos ser mais calórico para que o esforço de perda de peso em janeiro não tenha de ser muito grande. Não se prive. Prove pequenas quantidades, ou seja, coma com contenção. Se num jantar ou numa festa cometeu um excesso, compense no dia seguinte e faça refeições só de sopa e queijo fresco e lanchinhos com iogurte desnatado ou magro.

Sente que há cada vez mais uma preocupação com a alimentação, mesmo nestas épocas em que por tradição os pratos são mais “pesados”?

Da minha experiência, e pelo contacto direto com os participantes dos showcookings que dinamizo, e online, através das redes sociais, vejo haver uma maior preocupação com a alimentação por parte de toda a população. No caso de algumas pessoas são as contingências a nível de saúde que as levam a reduzir no sal, nos açúcares e em alimentos mais ricos em gordura. Tanto as instituições de ensino, as clínicas de nutrição como os ginásios têm vindo igualmente a fazer um excelente trabalho na sensibilização para a necessidade de se ter uma dieta saudável, através de boas escolhas alimentares. Contudo, como a generalidade do povo português aprecia um bom prato e um bom copo, e sabendo que a gastronomia portuguesa oferece confeções ricas e abundantes, penso que as épocas festivas são momentos que devem ser comemorados sem se olhar a muitas restrições alimentares. Os pratos salgados típicos do Natal não são mesmo os mais preocupantes. Um ‘Bacalhau com Todos’, um prato de polvo, um assado de ave ou uma travessa de camarão são inofensivos (exceto para a carteira) se os compararmos com a doçaria e licores típicos desta época, que são presença reiterada nas mesas da tradição do “Menino Mija”. Estes sim. convidam à ingestão repetida de alimentos muito calóricos e pouco saudáveis. Logo, são com estes que nos devemos preocupar nesta época que se aproxima.

Esta época é também muitas vezes marcada por excessos, que às vezes levam ao desperdício. Como podemos transformar os restos das refeições tradicionais em novos pratos?

O “desperdício zero” é uma forma prática de cozinhar com os ingredientes que sobraram de uma refeição. Mas saber-se aproveitar tudo, ou quase tudo, é mesmo uma arte, já muito praticada pelas pessoas de gerações mais antigas, não tanto com preocupações de sustentabilidade, como nos nossos dias, mas por razões de sustento. Havia uma preocupação, decorrente do fator necessidade, de se poupar alimentos, tempo e dinheiro.

Seguindo a máxima de Antoine-Laurent de Lavoisier de que “(…) nada se perde, tudo se transforma”, partilho algumas dicas, que já vêm sendo prática familiar. As sobras de arroz podem transformar-se em bolinhos panados, tipo arancini; os restos do assado de frango do campo ou de peru podem ser desfiados no arroz ou salteados com legumes. As sobras de leguminosas, como o grão, ou de legumes cozidos podem ser introduzidas na base de uma sopa ou numa quiche. As cascas das batatas e da abóbora podem ser assadas ou fritas, delas resultando deliciosos chips crocantes. Os talos de espinafre e de brócolos podem ser introduzidos no arroz ou nos ovos mexidos. Já os de salsa podem servir de “cama” para assados – agregam sabor e evitam que a carne queime em contato com a assadeira. As próprias cascas do ananás ou dos citrinos podem ser fervidas e transformadas em infusões para sumos e licores. Os ossos e as aparas de carne, os talos e cascas de vegetais, ou as pontas menos nobres dos mesmos, depois de fervidos e condimentados, dão caldos caseiros saborosos. Congele-os em cuvetes ou em saquinhos de congelação e use-os sempre que precisar para as bases das sopas.

Pode partilhar uma receita “saudável e sustentável” adequada para este Natal? No meu site, www.foodwithameaning.com, que comemora dez anos de existência este mês, tenho várias sugestões, integradas nos separadores “Natal” e “Saudável”. Para além destas, todas as mais recentes, integradas nos Showcookings “Experimenta, é Bio!”, promovidos pela Secretaria Regional da Agricultura e Desenvolvimento Rural, podem também ser consultadas e reproduzidas em mesas de festa. Estão também publicadas algumas propostas minhas no site www.angraprendasmil.pt. Contudo, penso que o melhor mesmo é inscreverem-se no showcooking promovido pelo Observatório do Ambiente e Centro de Ciência de Angra do Heroísmo, que decorrerá a 11 de dezembro- sábado. Neste irei desenvolver a temática do Natal com a tónica no Saudável e no Sustentável

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